Trânsito de mercúrio 2019

No dia 11/11/2019 tivemos um fenômeno astronômico que não acontece sempre, e que passou meio que despercebido pelo público geral. Trata-se do Trânsito de Mercúrio, onde o pequeno planeta passa a frente do disco solar, visto daqui da terra.

O nome trânsito refere-se a passagem do planeta, como se eles estivesse transitando por uma via na frente do Sol, pois ele descreve uma trajetória pelo disco solar. Diferente do eclipse, onde a Lua, mesmo sendo em torno de 400 vezes menor em diâmetro que o Sol, está coincidentemente em torno de 400 vezes mais próximo a terra, o que faz com que o disco lunar e solar tenham aparentemente o mesmo tamanho. Nesse caso a Lua passando em frente ao disco solar, encobre totalmente o Sol e nos permite contemplar a beleza do eclipse.

No trânsito a situação é diferente, pois os diâmetros do Sol e o planeta que está transitando na frente do Sol (Vênus também tem o mesmo fenômeno), são bem diferentes (Mercúrio a distância atual será 150 vezes menor que o diâmetro do sol) e faz com que o planeta seja apenas uma macha cruzando a imensidão solar.

Planeta Mercúrio cruzando o disco solar durante o Transito planetário.

A equipe da SEASE esteve na segunda-feira dia 11/11, no Planetário da CCTECA com seus telescópios devidamente equipados com filtros, para garantir a segurança ao observador e projeções para registrar e mostrar ao público tal fenômeno. Este Trânsito começou às 09:35, com o contato da borda do planeta com o disco lunar, fazendo o efeito gota (aparência de uma gota no formato da entrada do planeta à frente do disco solar). Às 12:20 o planeta chega a metade do caminho percorrido e finalmente às 15:04, Mercúrio saí da frente do sol, terminando o fenômeno. Com duração total de 5h e 29min, o evento foi visto de todo o Brasil e acompanhado por instituições profissionais e amadoras, além de curiosos e entusiastas.

Projeção em uma folha de papel através de uma luneta. A forma mais segura de realizar a observação do evento.

Celular em método afocal, com auxílio de adaptador para fixação do aparelho a ocular. Uma utra maneira de realizar observação  evento.

Curiosos vendo  trânsito através da ocular do telescópio. O uso de filtro é indispensável pra observação segura, sem riscos para os olhos.

Na parte superior da abertura do telescópio o filtro solar devidamente encaixado, sem permita nenhuma luz direta entrar na parte interna do tubo. Qualquer observação solar deve seguir a risca essa regra.

Foto final do evento, realizada pelo Dennys Santana (com o auxílio do Augusto Cesar), integrante da equipe de astrofotografia da SEASE.

Além do espetáculo visual e da mecânica celeste, tal acontecimento permite que medições sejam feitas, tais como o diâmetro do sol por exemplo. Trânsitos como esse são raros, acontecendo em média 12 ou 13 por século, sendo o próximo só em 2032. Nós da SEASE estaremos lá para cobrir o próximo, entretanto enquanto tal fenômeno não chega vamos mostrando outros, igualmente interessantes.

Céu aberto a todos!

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