Nossa História

Os primórdios

O desenvolvimento da Astronomia amadora em Sergipe tem como marco inicial a primeira metade da década de 90, quando foi fundado o Grupo de Astronomia Johannes Kepler (GAJK), em 1993, tendo como fundador e coordenador geral o professor e astrônomo amador Augusto César Silva Almeida, que ainda permanece na ativa junto com outros membros entusiastas da área.

No início das atividades, as reuniões ocorriam no Centro Acadêmico de Física Leônidas Tancu (Atual CAFIS), em um espaço cedido pela Universidade Federal de Sergipe (UFS), dentro das dependências do Departamento de Física (DFI/UFS) do campus universitário. Os objetivos do GAJK giravam fundamentalmente em torno ampliação do conhecimento na área, o ensino de temas específicos ligados às ciências espaciais, direcionados para o público em geral, também entravam na pauta das ações. Também era meta do grupo motivar a criação de um curso de extensão pela UFS.

O GAJK precisava se estruturar para suas atividades e para atender melhor ao público local que carecia de informações qualitativas sobre astronomia. Assim, a observação do céu, uma das principais finalidades da astronomia amadora, era realizada inicialmente através de binóculos e uma pequena luneta de 50 mm e ampliação de 30 vezes, sendo suficiente para observação de detalhes da superfície lunar e de planetas mais próximos da Terra, como Vênus e Marte. Na aquisição de equipamentos, consta o recebimento de doação de um telescópio refletor newtoniano de 180 mm que revolucionou as sessões de observação dos astros.

Nesta primeira fase da Astronomia amadora em Sergipe, vale ressaltar a realização de 42 seminários de estudos abertos ao público. Relevante também foi a aquisição de livros temáticos, revistas e vídeos astronômicos, visando montar um acervo de pesquisa para uma biblioteca dedicada ao assunto.

Do GAJK à SEASE

Passados oito anos de fundação do ‘Johannes Kepler’, ocorre a mudança da sede do grupo, saindo das dependências do campus universitário para a casa do senhor Alípio Álvares de Azevedo Neto, em 2001. Na sequência, no mesmo ano, há a mudança de nome para o que passaria a se denominar Sociedade de Estudos Astronômicos de Sergipe (SEASE), sendo elevada à categoria de sociedade sem fins lucrativos com estatuto de funcionamento e registro público reconhecido. Como uma das primeiras ações realizadas pela SEASE, destaca-se a compra de um telescópio newtoniano de 180 mm, de livros e aquisição de cartas celestes e programas de simulação do céu (Sky Globe, Cartas Del Cielo etc). A realização de seminários de estudos continuou como uma marca característica da entidade, seguida da observação sistemática de planetas através de telescópio com médio alcance para visualização de detalhes dos corpos celestes.

A estruturação

Em uma segunda fase da SEASE, entre 2001 e 2009, ocorreu mais uma mudança de sede, passando a ocupar uma sala, cedida gentilmente pelo então presidente do Cotinguiba Esporte Clube, o senhor Wellington Mangueira que, com muito respeito pelo trabalho do grupo, resolveu apoiar a iniciativa e colaborar para o prosseguimento das reuniões e trabalhos realizados pela entidade. Essa iniciativa foi de fundamental importância, permitindo que o grupo pudesse dispor de um espaço físico mais amplo para as reuniões e melhor localizado para acesso do público, próximo ao centro de Aracaju.

A aquisição de outros equipamentos para uso astronômico continuou merecendo destaque a compra de um computador, um aparelho de televisão e DVD, laser apontador, filtros solares, globo estelar, vídeos, livros, etc, reforçando o acervo e a lista de bens da entidade. Foi nesta fase que o grupo também se lançou pioneiramente no estado, na prática da astrofotografia, priorizando inicialmente a obtenção de imagens da Lua.

Buscando ampliar seus horizontes, neste período de desenvolvimento, o grupo passou a investir em expedições com objetivo científico para localidades adjacentes, distantes da poluição luminosa da capital. Locais como as cidades de Laranjeiras, Siriri, o povoado Mosqueiro e a Praia do Jatobá, foram visitados para a apreciação de um céu limpo e o registro de belas astrofotografias, que permitiram a montagem de um catálogo com uma coleção de imagens de rara beleza. Nesta época, vale destacar o acompanhamento do eclipse total do Sol, no Rio Grande do Norte em 2006, observação de eclipses lunares junto ao público, acompanhamento sistemático de cometas como o Hale-Bopp e Lulin, registro de trânsito dos planetas Mercúrio e Vênus, observações de manchas solares e chuvas de meteoritos, entre outros eventos.

Da esquerda para a direita:

A SEASE passou a participar cada vez mais ativamente de eventos astronômicos considerados de expressiva importância para o progresso da atividade no país, como os Encontros Nacionais de Astronomia (ENAST), além de eventos regionais como os Encontros Inter nordestinos de Astronomia (EINA). Em 2009, a entidade teve o privilégio de realizar em Aracaju o V EINA, no ano internacional da astronomia, recebendo astrônomos amadores de vários estados do Nordeste, que se reuniram para compartilhar conhecimentos nos seminários e nas apresentações de trabalhos científicos.

O reconhecimento do público

Desde o início de 2009, a SEASE encontra-se alojada dentro do complexo do Planetário da Casa de Ciência e Tecnologia de Aracaju (CCTECA), onde prossegue com seus trabalhos ligados à Astronomia. A CCTECA Galileu Galilei é um espaço público construído a partir de uma parceria do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) com a Secretaria Municipal de Educação de Aracaju (SEMED), tendo sido inaugurada em março de 2009. Por se tratar de um local mais amplo e acessível, foi possível realizar com melhor estrutura, às noites de observação do céu com a presença do público aracajuano e de turistas.

A SEASE está sempre voltada a promover eventos de divulgação científica e participar ativamente de projetos nacionais e internacionais para a popularização dos fenômenos astronômicos, a exemplo do Ano Internacional da Astronomia (IYA 2009), Noite Internacional de Observação da Lua, Astronomia na Calçada, Campanha Internacional contra a Poluição Luminosa, entre outros, além de prosseguir com seus objetivos de pesquisar, ensinar e divulgar a Astronomia no estado de Sergipe.

Adaptado de: SANTOS, Nilson Silva. Monografia de especialização no ensino em astronomia, apresentada na Universidade Cruzeiro do Sul e intitulada ‘O desenvolvimento da astronomia amadora em Sergipe: das origens históricas às perspectivas futuras.’